Cinza pesada de termelétrica é usada na construção civil

Fonte: GAZETA DE ALAGOAS

Projeto mostrou a viabilidade da cinza para a produção de argamassa e blocos pré-fabricados

São Paulo – Um projeto para identificar resíduos que pudessem ser aplicados na construção civil levou a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a conseguir a utilização da cinza pesada, gerada em termelétricas a carvão mineral, em argamassas e blocos pré-fabricados. Com custos até 40% inferiores, esses produtos possuem maior durabilidade do que os convencionais.

Segundo a engenheira Janaíde Cavalcante Rocha, coordenadora do projeto, a pesquisa teve início em 1995, através do Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare), da Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep), quando foram testados também usos para entulhos de obras, beneficiamento de arroz e lodo da indústria têxtil. Atualmente, as cinzas finas ou secas, filtradas das chaminés das termelétricas, já são utilizadas na fabricação de cimento, mas as cinzas pesadas (ou úmidas) não têm mercado. São eliminadas em bacias de sedimentação ou na vizinhança de influência de operação das usinas.

Objetivos

Os estudos de viabilidade da cinza pesada foram realizados a partir da caracterização química do resíduo, levantamentos sobre sua geração e uso atual, além de fabricação e testes de blocos estruturais de concreto, blocos de vedação, briquetes de pavimentação e concretos moldados in loco. No caso dos blocos de concreto, as cinzas pesadas foram usadas na substituição tanto do cimento como da areia fina. Um dos objetivos do projeto – que envolveu cinco professores e 20 alunos, da graduação e pós-graduação -, é também divulgar a nova tecnologia.

Para a engenheira, esse tipo de matéria-prima deveria ser utilizada como um diferencial de mercado, voltado para um consumidor que, além de procurar um produto de qualidade, está preocupado com o meio ambiente. “Poderia ser adotado um selo de reciclagem para que o consumidor saiba exatamente os componentes do produto”, defende.

Na operação das usinas termelétricas, para cada 100 toneladas de carvão mineral consumidas, são geradas 42 toneladas de cinzas, das quais 70% é extraída a seco e 30% via úmida. No Brasil, estima-se uma disponibilidade de 3 milhões de toneladas/ano de cinzas.