Qualidade à vista, ao simples toque

O engenheiro Idário Fernandes dá dicas para identificar blocos de qualidade

Veículo: Revista Prisma, edição 08

Idário Fernandes Responsável pelo núcleo de conhecimento Blocos & Pavers da Votorantim Cimentos Dicas úteis para identificar blocos de qualidade

Os ensaios descritos nas normas brasileiras NBR 7184, para os blocos de alvenaria, e NBR 9780, para blocos de piso intertravado, são suficientes para determinar se o produto atende ou não aos requisitos mínimos de qualidade. No entanto, em situações de urgência ou em pequenas obras, quando os custos dos ensaios não justificam sua adoção, o profissional pode recorrer a uma série de observações visuais e táteis, que permitem identificar com antecedência se os produtos terão um bom desempenho depois de aplicados. As dicas a seguir resultam da experiência prática. Assim, são apenas orientativas e não devem ser utilizadas como último (ou único) recurso para aprovar ou reprovar um lote de produto. Para estes casos, o correto é a execução dos ensaios, conforme descritos nas normas citadas.

Permeabilidade

Um bloco, paver, tubo ou telha produzido com quantidade de água insuficiente para o perfeito adensamento (compactação) apresenta uma superfície porosa, sujeita a absorver água com facilidade. Um recurso prático para se verificar se o produto tem boa compactação é o teste de permeabilidade (Figura 1). Mantenha a peça na horizontal e derrame um pouco de água sobre sua superfície. Se á água não penetrar ou penetrar com certa dificuldade a peça pode ser considerada compacta, sinal de produto bem adensado. A penetração com facilidade indica grande quantidade de vazios no concreto, que é um forte indicativo de baixa resistência ou de alto consumo de cimento, caso a resistência esteja sendo atendida.

Teste de massa

Para concretos de mesmos materiais e mesmos traços, a resistência é proporcional à sua densidade e esta proporcional à massa das peças. Portanto, para peças de um mesmo lote, as eventuais diferenças de massa (peso) são um forte indicador de diferença de resistência (veja Figura 2). Quanto mais leves as peças, mais porosas e, portanto, menor será a resistência e maior a absorção de água. Há uma perfeita correlação entre a resistência e a massa (peso) das peças, quando feitas no mesmo molde.

Teste da chuva

Como a falta de adensamento resulta em peças porosas, logo após uma pequena chuva, ou após lavar o pavimento, é possível notar a diferença entre peças feitas com misturas secas ou mal-adensadas e peças compactas. Como a água não penetra na peça compacta, a umidade fica restrita à uma fina camada superficial, que seca rapidamente com alguns minutos de sol. Já a peça porosa encharca e permanece úmida por muito mais tempo, apresentando-se mais escura. Daí, pela diferença de tonalidade (veja Figura 3), fica fácil perceber a diferença entre as peças “boas” e aquelas que têm maior possibilidade de apresentar problemas de ruptura e de abrasão, devido à porosidade.

Coloração

Quando o produto apresenta grande variação de tonalidade de cor no mesmo lote, a causa mais provável é a variação na quantidade de água empregada na mistura. Misturas mais secas tendem a deixar as peças mais escuras, enquanto as misturas com umidade adequada resultam em produtos levemente mais claros, devido ao afloramento da pasta de cimento (veja Figuras 4 e 5). Isto se reflete na compactação do concreto e na densidade da peça. O resultado são blocos ou pavers de diferentes densidades e diferentes resistências, acarretando aumento do desvio padrão e diminuição das resistências características f bk e f pk . Já lotes de cor homogênea indicam baixo desvio padrão e perfeito controle de processo. 

Arestas

As Figuras 6 e 7 mostram produtos com arestas bem definidas, o que significa misturas bem dosadas e bem compactas. Já uma aresta irregular (veja Figura 8) indica um produto fabricado com um concreto inadequado (pouca água no processo de mistura) insuficiente para proporcionar a necessária coesão e compactação do concreto, condições indispensáveis para obter a máxima resistência com os materiais empregados.

Outras dicas

Quando percutidas, as peças compactas produzem sons mais estridentes; peças porosas e, por isso mais fracas, produzem sons suaves. Peças porosas, quando mergulhadas na água, produzem grande quantidade de bolhas (resultado da saída do ar), fato que não ocorre com peças compactas. Peças feitas com mistura seca têm mais possibilidade de apresentar eflorescência, que é a migração do hidróxido de cálcio para a superfície, formando manchas brancas.