Mulheres recebem capacitação para a área de construção civil na Paraíba

Fonte: G1

Expansão do setor possibilitou implantação de cursos específicos.
Mulheres têm mais cuidado com qualidade do trabalho, diz especialista.

O crescimento das cidades e a expansão no setor de construção civil abriu oportunidades para a inclusão de mulheres em uma área que tradicionalmente era composta apenas por trabalhadores do sexo masculino. Um projeto desenvolvido em quatro cidades da Paraíba capacita 640 mulheres para a área da construção civil. Realizado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), o projeto visa promover a formação intelectual, técnica e cultural das trabalhadoras.
De acordo com o professor Alexandre Urquiza, que coordenou a implantação do projeto, a ideia da criação dos cursos surgiu a partir da necessidade do mercado. “A área de construção civil está aquecida, sobretudo por conta dos investimentos públicos para o setor. Com isso, o mercado se abriu e o contingente de profissionais existentes não está dando conta da quantidade de obras que estão sendo realizadas na Paraíba,” disse Alexandre.

O professor explica que, além do aquecimento no setor, um dos principais motivos para o desenvolvimento de cursos voltado exclusivamente para mulheres se deu a partir de características próprias identificadas pelos empresários. “O mercado notou, através de pesquisas, que as mulheres têm uma preocupação maior com o trabalho, realizando os serviços com mais cuidado e evitando o desperdício de material. Isso faz com que as obras sejam executadas com mais economia e qualidade,” comentou.
Na primeira etapa do projeto, estão sendo formadas 300 mulheres nos cursos de pintura de obras, aplicação de revestimento cerâmico e auxiliar de gerenciamento de obras. Os alunos formados nos cursos de edificação auxiliam os professores durantes as aulas. Com 20 alunas em cada turma, o projeto é desenvolvido em duas etapas e a segunda etapa, que envolve a parte prática, começou na terça-feira (21). Os cursos acontecem nas cidades de João Pessoa, Cabedelo, Monteiro e Cajazeiras.
Alexandre explica que a previsão é de que as mulheres sejam absorvidas pelo mercado tão logo concluam os cursos. “Conversamos com os sindicatos de empregados e dos empresários da área e observamos a tendência de receber estas alunas, principalmente devido à necessidade do mercado em conseguir mão-de-obra qualificada,” disse Urquiza. O professor comentou também que, apesar de ainda existir um receio por parte dos empresários em contratar mulheres para trabalhar nas obras, os benefícios que estas profissionais trazem para a construção são maiores do que as despesas.

“A justificativa que alguns empresários apresentam é que para contratar mulheres seria necessário fazer um investimento maior na questão de estrutura no canteiro de obras. Um exemplo citado por eles é na questão dos banheiros, que precisam ser adaptados e separados para a divisão de acordo com o gênero do profissional. Porém, mostramos através dos cursos que o investimento feito pelos empresários é compensado no ganho que a obra tem com a maior qualidade e menor desperdício que estas profissionais trazem para o empreendimento,” completou Alexandre.
Para a aluna Sandra Andreia, de 33 anos, a expectativa é de que o mercado de trabalho absorva as alunas e que com o tempo, a questão do preconceito seja reduzida. “Sabemos que há um preconceito, principalmente por parte dos homens que acham que só eles podem trabalhar e que as mulheres tenham que ser donas de casa, mas estamos aqui para mostrar que somos capazes de fazer o mesmo trabalho e atuar junto com eles nestas atividades”, comentou Sandra.